Airbus não vê sinais de desaceleração na demanda apesar dos desafios geopolíticos
HONG KONG, 15 Set (Reuters) - A Airbus não observou nenhuma desaceleração na demanda por aeronaves ou nas entregas devido a desafios geopolíticos ou relacionados à cadeia de suprimentos, afirmou nesta terça-feira seu presidente para a Ásia-Pacífico.
“Continuamos observando uma forte demanda”, disse o presidente da Airbus para a Ásia-Pacífico, Anand Stanley, durante uma coletiva em Hong Kong sobre a previsão de mercado para 2026-2045, com foco na região da Ásia-Pacífico.
“Além disso, continuamos observando uma forte disposição para receber entregas e um aumento significativo nas entregas em todas as áreas, e isso não se limita apenas à Ásia-Pacífico; também vemos que continuamos realizando nossas entregas no Oriente Médio”, disse ele.
As entregas da Airbus aumentaram 9% neste ano até o momento, em comparação com o mesmo período de 2025, disse ele.
A fabricante europeia de aeronaves prevê que cerca de 42.000 novas aeronaves serão necessárias globalmente nos próximos 20 anos, e cerca de 45% delas serão entregues à região da Ásia-Pacífico, que apresenta rápido crescimento.
François Cabaret, chefe de previsões de mercado global da Airbus, disse no evento que as companhias aéreas chinesas enfrentam um enorme desafio para se atualizar na renovação de suas frotas.
Antes da pandemia da Covid-19, as companhias aéreas chinesas recebiam cerca de 400 aeronaves por ano, mas o número total proveniente da Airbus, da Boeing e da fabricante chinesa de aeronaves COMAC caiu desde então para menos da metade desse valor, afirmou Cabaret.
Dados da Airbus mostram que a China, seu maior mercado individual para aeronaves comerciais, precisará de 8.830 novas aeronaves de passageiros nos próximos 20 anos; a Índia, de 3.480; e o restante da Ásia-Pacífico, de 6.880.
A previsão destacou um crescimento divergente na Ásia, onde se esperava que o tráfego geral crescesse 5,1% ao ano nos próximos 20 anos. A Índia continua sendo o mercado de viagens aéreas que mais cresce no mundo, com a Airbus elevando sua previsão de crescimento do tráfego doméstico de 8,9% para 9,3%, enquanto reduziu a da China de 5,4% para 4,7%.
Cabaret afirmou que a revisão relativa à China refletiu fatores macroeconômicos, e não um excesso de capacidade estrutural.
Ele observou que a urbanização global está se deslocando cada vez mais para cidades menores e secundárias, com a previsão de surgimento de cerca de 600 novas cidades de pequeno e médio porte nos próximos 20 anos, cada uma gerando nova demanda por infraestrutura aeroportuária e rotas.
Stanley disse que o modelo A220 de corredor único da Airbus já possibilitou mais de 400 novas rotas globalmente e poderia viabilizar mais 800 pares de cidades na Ásia-Pacífico, enquanto o A321XLR poderia abrir mais de 2.200 novas rotas potenciais na região, oferecendo o alcance de uma aeronave de fuselagem larga em uma aeronave de corredor único.
(Reportagem de Julie Zhu)
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