Banco Mundial nomeia ganhador do Prêmio Nobel Michael Kremer como próximo economista-chefe


Por Andrea Shalal

WASHINGTON, 16 Set (Reuters) - O Banco Mundial nomeou nesta quarta-feira o ganhador do Prêmio Nobel e professor da Universidade de Chicago, Michael Kremer, como seu próximo economista-chefe, sucedendo Indermit Gill, que se aposentou no mês passado.

Kremer, de 61 anos, ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2019, juntamente com Esther Duflo e Abhijit Banerjee, por sua abordagem experimental para combater a pobreza global. Anteriormente, ele lecionou economia na Universidade de Harvard.

Ele assume seu novo cargo em 1º de outubro, pouco antes das reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional em Bangcoc, na Tailândia.

Kremer é conhecido por utilizar pesquisas rigorosas para desenvolver soluções inovadoras para problemas do mundo real, muitas vezes criando programas que ajudaram pequenos agricultores e proporcionaram a milhões de pessoas acesso a vacinas e programas de saúde escolar.

“Michael dedicou sua carreira não apenas a identificar o que funciona no desenvolvimento, mas também a comprovar isso em grande escala — e esse é exatamente o tipo de pensamento de que precisamos”, afirmou o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, em comunicado.

“Ele se junta a nós em um momento em que o mundo precisa de soluções ousadas para seus desafios de desenvolvimento mais urgentes, incluindo a criação de empregos que atendam às aspirações de mais de 1,2 bilhão de jovens que atingirão a idade produtiva na próxima década.”

Kremer ingressa no banco em um momento em que os países em desenvolvimento enfrentam o aumento das taxas de juros e dos preços da energia, na esteira da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Esses desafios se somam a uma queda de 23% na assistência oficial ao desenvolvimento em 2025 — a mais acentuada já registrada —, sendo os EUA responsáveis pela maior parte dessa redução.

Ele é o primeiro economista a ingressar no banco já com um Prêmio Nobel em mãos. Outros, incluindo Joseph Stiglitz e Paul Romer, receberam a honraria após o término de seus mandatos como economistas-chefes.

Atualmente, Kremer atua como diretor do Laboratório de Inovação para o Desenvolvimento da Universidade de Chicago, onde sua pesquisa tem se concentrado em inovação nas áreas de educação, saúde, água, finanças e agricultura em países em desenvolvimento.

“O Grupo Banco Mundial possui uma enorme capacidade de pesquisa para desenvolver e testar soluções inovadoras para os problemas de desenvolvimento — e o alcance operacional para ampliá-las e melhorar a vida das pessoas”, afirmou Kremer em comunicado.

O mundo enfrentou enormes desafios, mas as novas tecnologias ofereceram oportunidades para impulsionar o crescimento, disse ele.

Em 2024, Kremer proferiu um discurso de abertura em um evento do Banco Mundial intitulado “A Grande Incoerência: Crescimento e Desenvolvimento Humano em uma Era de Estagnação”.

Nesse discurso, ele pediu reformas para ajudar os países a atingirem metas ambiciosas de desenvolvimento, inclusive por meio do financiamento de projetos-piloto inovadores e do incentivo à pesquisa sobre novas tecnologias — temas enfatizados por Banga desde que assumiu o cargo em 2023.

Kremer é marido de Rachel Glennerster, uma economista britânica que trabalhou para o governo do Reino Unido e para o Fundo Monetário Internacional antes de se tornar presidente do Centro para o Desenvolvimento Global, em Washington, em setembro de 2024.

Ambos aderiram ao Giving What We Can, uma organização sem fins lucrativos cujos mais de 10 mil membros se comprometem a doar 10% de sua renda a instituições de caridade eficazes, quando ela foi lançada em 2009.

Em 2010, ele cofundou a Development Innovation Ventures, um fundo administrado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que foi encerrado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, logo após seu retorno à Casa Branca no ano passado.

(Reportagem de Andrea Shalal)