BC aponta desaceleração da atividade, do crédito e da inflação, mas mantém defesa de juros restritivos

 


Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 22 Set (Reuters) - O Banco Central defendeu a manutenção do nível restritivo dos juros básicos no país diante da pressão da demanda, ainda que se observe um aumento em dados de atividade econômica, crédito e inflação, demonstrado nesta terça-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

“Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária atual tenha caráter restritivo”, disse o BC no documento.

A autarquia cortou na semana passada a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o atual cenário de incerteza exige serenidade e cautela na condução da política econômica, mensagem reforçada na ata.

No documento, o Copom afirmou que a evolução do mercado de crédito com recursos livres --que tem condições negociadas livremente entre bancos e tomadores-- é consistente com um quadro de desaceleração da atividade em meio aos juros restritivos.

Há redução nas linhas de financiamento de prazo mais longo, disse o BC, ponderando que modalidades de prazo curto e emergenciais continuam crescendo, mas com desaceleração na margem.

“Por outro lado, os créditos com recursos direcionados mantiveram trajetória de expansão para pessoas físicas, na linha do crédito imobiliário, e para empresas, sustentados pelas operações com fundos garantidos”, disse, sem mencionar especificamente programas implementados pelo governo para estimular o crédito.

Apesar de destacar a pressão de demanda, o BC voltou a afirmar que os choques de oferta têm “exercício de influência relevante” sobre a inflação. Em meio à alta variação de preços do petróleo diante da guerra no Oriente Médio, a autarquia ressaltou que não deve reagir aos efeitos primários dos choques de oferta dessa natureza, mas disse que vai monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem e reagir com firmeza caso se materializem.

Em relação à inflação, a autarquia avaliou que dados recentes apontam para queda dos indicadores, com índice abaixo do teto da meta, mas ainda acima do centro do alvo. Ata ponderou que os preços aos produtores aumentaram recentemente, tanto em bens intermediários quanto em bens de consumo.

Sobre a atividade, o BC disse que há uma trajetória de moderação, tão antecipada.

“A leitura mais recente do PIB, referente ao segundo trimestre de 2026, confirmou a desaceleração apontada por outros indicadores e revelou que o movimento foi mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensível ao ciclo econômico”, afirmou.

O documento ainda reafirmou a percepção de elevada incerteza, com riscos de alta nos preços, e reiterou que a magnitude do ciclo de instabilidade "será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para garantir a convergência da inflação à meta".

(Por Bernardo Caram, edição de Camila Moreira)