BC reduz projeção de alta do PIB em 2026 de 2,0% para 1,8%, vê expansão de 1,4% em 2027


BRASÍLIA, 24 Set (Reuters) - O Banco Central reduziu sua projeção de crescimento econômico em 2026 para 1,8%, de 2,0% estimados em junho, conforme Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira, apontando ainda que a atividade deve seguir em desaceleração, com expansão de 1,4% em 2027.

A autarquia afirmou que a revisão para baixo do indicador foi motivada por uma "avaliação menos favorável da composição do crescimento no segundo trimestre e dos primeiros indicadores do terceiro trimestre, que sugerem atividade mais fraca."

O Ministério da Fazenda previu nesta semana um avanço de 2,0% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 e de 2,3% no ano que vem. Já o mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,88% neste ano e 1,43% em 2027.

A desaceleração da atividade é esperada em meio a uma política de juros restritiva implementada pelo BC para controlar a inflação.

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou na semana passada a taxa Selic em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto, mas tem reforçado que o ciclo será encerrado com os juros ainda em nível restritivo.

Pelos cálculos do BC, a probabilidade de a inflação ultrapassar o limite superior de tolerância da meta em 2026 aumentou de 79% para 90%. Em 2027, a chance cresceu de 28% para 33%. Em 2028, a probabilidade foi mantida em 16%.

O centro da meta contínua de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O BC afirmou, que apesar de manter em 3,2% a projeção para a inflação acumulada em 12 meses no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante, "a trajetória da inflação projetada é de modo geral mais alta".

Entre os fatores que exercem pressão de alta, foram citados uma atividade mais aquecida do que seu potencial e aumento das expectativas de mercado para a inflação. No sentido oposto, há possível pressão de baixa com a inércia das surpresas observadas na inflação de junho a agosto e uma redução mais aguda em preços de petróleo.

No documento, o BC ainda previu que a inflação acumulada em 12 meses ficará em 3,1% no segundo trimestre de 2028, que será o próximo horizonte relevante de atuação da política monetária. A estimativa foi feita no cenário de referência, que segue a trajetória do mercado para os juros.

"A inflação ao consumidor continua acima da meta, apesar da redução desde o relatório anterior, e as expectativas de inflação seguem desancoradas", ressaltou a autarquia no relatório.

(Por Bernardo Caram, edição de Camila Moreira)