BMW aposta em cortes, novos modelos e IA para recuperar fôlego
Por Christina Amann e Rachel More
MUNIQUE, Alemanha, 30 Set (Reuters) - A BMW divulgou nesta quarta-feira um plano de reestruturação centrado em inteligência artificial, cortes de funcionários administrativos e lançamento de dois novos modelos, buscando restaurar a confiança dos investidores após uma série de alertas sobre resultados e forte queda no preço de suas ações.
Enquanto a indústria automotiva europeia enfrenta dificuldades com demanda fraca, concorrência chinesa e tarifas de importação dos EUA, a reputação de estabilidade da BMW sofreu um golpe em junho, quando a empresa divulgou seu terceiro alerta de resultado relacionado ao fraco desempenho na China em pouco mais de três anos.
A empresa respondeu com um programa de demissões que deve afetar cerca de 8.000 funcionários na Alemanha, juntando-se às rivais Volkswagen e Mercedes-Benz na estratégia de redução de custos.
A BMW, cujas ações caíram mais de um terço no último ano, atingindo o nível mais baixo em mais de seis anos, divulgou o plano de recuperação durante um evento de dois dias para investidores.
A empresa estabeleceu uma meta de médio prazo de 3% a 5% para as margens em seu principal negócio automotivo até 2028. No início da década de 2030, a BMW pretende retornar a uma faixa de margem de 8% a 10%, ante os 2,3% registrados em seus últimos resultados.
Até meados de 2027, o grupo pretende reduzir em 20% o número de divisões e cargos de gestão associados. A inteligência artificial terá um papel central nos esforços para otimizar a empresa e acelerar a tomada de decisões, afirmou a companhia.
O presidente-executivo, Milan Nedeljković, afirmou que os planos ajudarão a BMW a “enfrentar a concorrência cada vez mais acirrada que definirá esse setor nos próximos anos”.
“Não se trata de um programa de redução de custos”, disse o ex-chefe de produção, que assumiu o cargo de presidente-executivo em maio.
O grupo também está adaptando sua estratégia de produtos às tendências divergentes nos principais mercados, planejando um veículo elétrico básico para a Europa a partir de 2028, ao mesmo tempo em que visa os consumidores mais abastados dos Estados Unidos com um novo utilitário de luxo.
Na China, a BMW planeja localizar ainda mais a produção e contar mais com parceiros locais para tecnologias como direção autônoma e software integrado. A empresa também está analisando possíveis exportações da China para o Sudeste Asiático.
“Em condições cada vez mais desafiadoras, definimos medidas iniciais para nos reposicionarmos e as implementaremos com grande impulso”, disse Nedeljković, acrescentando que a BMW não poderia ter previsto a rapidez com que o mercado chinês estava mudando e, por isso, se manteve cautelosa em suas previsões.