Brasil assina com China acordo para exportar miúdos suínos; ABPA vê mais de US$100 mi em receitas


SÃO PAULO, 28 Set (Reuters) - O Brasil assinou com a China no último sábado a revisão de um protocolo sanitário bilateral para exportação de miúdos suínos, o que pode gerar receitas adicionais superiores a US$100 milhões ao setor brasileiro, de acordo com comunicados do Ministério da Agricultura e da associação de indústrias ABPA.

A medida amplia o conjunto de produtos brasileiros autorizados a ingressar no mercado chinês e cria novas possibilidades comerciais para os estabelecimentos habilitados, permitindo a diversificação da pauta exportada, segundo ministério.

"Significa um capítulo importante na suinocultura brasileira, acesso ao mercado de mais de US$2,5 bilhões por ano, valorização da nossa produção e mais renda e emprego no campo e na indústria", afirmou o ministro da Agricultura, André de Paula, em nota.

A China é a maior produtora e consumidora de carne suína do mundo, mas precisa de importações para complementar sua oferta.

De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a expectativa é de que o direcionamento dos novos produtos autorizados a um mercado de maior valor agregado possa representar incremento superior a US$100 milhões em receita para o setor.

O anúncio ocorreu no encerramento da auditoria chinesa a frigoríficos brasileiros, iniciada no último dia 20.

"É uma conquista de grande relevância para a suinocultura brasileira...", disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin. "Há uma complementaridade muito importante entre os hábitos de consumo brasileiro e chinês, que permite melhorar o aproveitamento da carcaça e agregar receita à produção."

Ainda segundo a ABPA, mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ter destinação qualificada ao mercado chinês a partir do novo acesso.

Antes do protocolo, o acesso brasileiro ao mercado chinês de miúdos era limitado. O Estado de Santa Catarina estava autorizado a exportar determinados miúdos externos, como pés, orelhas e rabos, mas não miúdos internos.

Somente para o Estado catarinense, a ABPA estima potencial de destinação de 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos ao mercado chinês com o novo protocolo.

No Rio Grande do Sul, as estimativas da ABPA apontam potencial de mais de 40 mil toneladas anuais de miúdos suínos para o mercado chinês, além das oportunidades relacionadas à carne suína com osso.

Entre 2013 e 2024, o Brasil exportou 2,7 milhões de toneladas de produtos suínos para a China, "que se consolidou ao longo dos últimos anos entre os principais destinos dos embarques brasileiros", disse a ABPA.

(Por Roberto Samora; edição de Paula Arend Laier)