Eneva aponta economia de até R$ 3,2 bi ao consumidor com flexibilização de suas termelétricas
Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 21 Set (Reuters) - Um acordo em discussão no Tribunal de Contas da União (TCU) para flexibilizar o acionamento de usinas termelétricas da Eneva pode acarretar uma economia estimada de R$ 1,7 bilhão a R$ 3,2 bilhões aos consumidores de energia no mercado regulado, conforme números apresentados pela Eneva em proposta ao governo federal.
As cifras, calculadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e pela consultoria PSR, constam em documento elaborado pelo Ministério de Minas e Energia à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que foi instalado pela massa a se manifestar no processo sobre o tema que está em discussão final no TCU.
A Eneva vem discutindo com o governo, com mediação do TCU, uma mudança contratual para flexibilizar o despacho de três projetos: UTE Maranhão III, UTE MC2 Nova Venécia 2 e UTE Azulão II e IV, que somam 1,2 gigawatt (GW) de potência.
A ideia é que, em vez de funcionarem compulsoriamente o tempo todo, essas usinas poderão ser acionadas apenas quando o sistema elétrico realmente precisar.
Isso ajudaria o trabalho do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que tem necessidade de mais usinas flexíveis para fazer frente às variações de geração das diferentes fontes de energia e atender à demanda. Além disso, contribuiria para reduzir os cortes de geração renováveis ocorridos pela sobrecarga de energia, que se tornaram um problema crescente no setor.
Conforme proposta da Eneva, estudos apontam que essa flexibilização traria redução de custos ao consumidor regulado, por exemplo, via redução da cobrança de encargos como ESS e Coner. A análise da CCEE aponta economia de R$ 1,7 bilhão, e da PSR, de R$ 3,2 bilhões, de 2026 a 2030.
A ideia é que as usinas deixem de operar com inflexibilidade e sejam despachadas pelo ONS por mérito econômico ou por necessidade de segurança do sistema, com base em um custo variável unitário (CVU) operativo de R$ 760/MWh.
Também há uma exigência de neutralidade tarifária - isto é, uma garantia de que essa mudança contratual não traz impactos para as distribuidoras, com eventuais custos adicionais no mercado de energia local devendo ser arcados pela Eneva.
Ainda segundo a proposta da Eneva, uma análise do ONS sobre o caso descoberto que, caso inventado, a flexibilização operativa das termelétricas ajudaria com um potencial de redução de 215 megawatts médios (MWm) de cortes de geração de energia.
O acordo, se aprovado, começaria a vigorar em julho de 2027, para coincidir com o "início do maior volume de inflexibilidade somado das térmicas e com o período de 'safra' dos ventos, sendo assim o período do ano com maior benefício de redução dos cortes previstos", diz o documento da Eneva.
A discussão para um eventual acordo deve ser concluída até o final deste mês, conforme prazos estipulados na SecexConsenso, do TCU.
(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)