Fachin cancela sessão do STF que discutiria acusação contra Mendonça
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 17 Set (Reuters) - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão prevista para a próxima quarta-feira que discutiria a acusação de abuso de autoridade e improbidade administrativa contra o ministro André Mendonça feita pelo colega Alexandre de Moraes, adiando a discussão sem nova data definida, segundo despacho desta quinta-feira.
Fachin afirmou que o caso de Mendonça está diretamente relacionado às alegações contra Moraes por supostas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Na terça-feira, os ministros do STF discutiram se os dois casos deveriam tramitar conjuntamente, mas a sessão foi interrompida por um pedido de vista de Flávio Dino, que suspendeu por até 90 dias uma decisão sobre a eventual reunião dos processos.
A decisão de Fachin representa mais uma etapa da crise por que passa o Supremo, com disputas e discussões acaloradas entre ministros em meio a uma série de acusações de supostas irregularidades envolvendo Vorcaro, que está preso por fraudes financeiras e outros crimes no âmbito do liquidado Banco Master.
O pedido de vista de Dino suspendeu por até 90 dias uma decisão final sobre juntar ou não as análises de um relatório da Polícia Federal que apontou supostas mensagens de Moraes com Vorcaro e um pedido feito pelo próprio Moraes que acusa Mendonça de abuso de autoridade e improbidade administrativa.
A sessão da corte que discutiu o caso na terça-feira foi marcada por intensas trocas de acusações entre ministros e pouco avançou no mérito das suspeitas. Ao interromper o julgamento com pedido de vista, Dino criticou a decisão do presidente do STF de pautar separadamente os dois casos.
A crise no Supremo ocorre a menos de três semanas do primeiro turno das eleições. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, tem tentado evitar que a conflagração no STF, em especial a situação por que passa Moraes, afete a sua campanha, enquanto seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), busca tirar proveito da situação, uma vez que o magistrado é visto pelo bolsonarismo como adversário.
Moraes, que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2022 quando Lula venceu o então presidente Jair Bolsonaro, foi relator do processo que levou à condenação por tentativa de golpe de Estado no ano passado do ex-presidente Bolsonaro pelo Supremo.
(Reportagem de Ricardo BritoEdição de Pedro Fonseca)