Taxas de juros seguirão em patamares restritivos, diz diretor do BC


BRASÍLIA/SÃO PAULO, 24 Set (Reuters) - O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, reforçou nesta quinta-feira que a instituição faz atualmente uma "calibração" da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, e que os juros serão mantidos em níveis restritivos.

"As taxas ainda estão e vão ser mantidas em patamares restritivos para atender nosso compromisso de conduzir a inflação para a meta", afirmou Picchetti, que atualmente acumula a Diretoria de Política Econômica do BC.

Em entrevista coletiva à imprensa para comentar o mais recente Relatório de Política Monetária do BC, Picchetti afirmou ainda que, no horizonte relevante para a política monetária do BC, não há evidências de consolidação fiscal no Brasil.

Ao avaliar o mercado de trabalho, o diretor do BC avaliou que ele segue resiliente. Já o crédito segue crescendo, conforme Picchetti, mas com desaceleração das concessões como resultado da política monetária.

Também presente na entrevista, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que a autoridade monetária está lidando com os dados econômicos com "humildade", dado o nível inusual de incerteza que cerca as perspectivas econômicas. O BC, segundo ele, precisa evitar contar com um senso falso de precisão, inclusive ao avaliar se sua projeção de inflação de 3,1% a partir do segundo trimestre de 2028 constitui uma convergência à meta de 3%.

Ainda assim, ele afirmou que os sinais de desaceleração da economia são crescentemente evidentes.

(Por Fabrício de Castro e Marcela Ayres; edição de Isabel Versiani)