China e União Europeia reforçam diálogo comercial e alcançam acordos sobre veículos híbridos

China e União Europeia chegaram nesta sexta-feira (09) a um acordo sobre o comércio de veículos híbridos e concordaram em reforçar o diálogo, ao término de negociações destinadas a evitar uma escalada das tensões comerciais entre ambas as partes.

O acordo foi anunciado após uma reunião em Pequim entre o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao.

Segundo o Ministério do Comércio da China, as partes concordaram em respeitar os "procedimentos relativos aos compromissos de preços das empresas" do setor de veículos híbridos.

A indústria automotiva era um dos principais pontos de atrito antes das negociações, já que Bruxelas busca conter o impacto dos veículos chineses de menor custo sobre a indústria europeia.

Embora tenham reconhecido que persistem "diferenças" entre as partes, China e União Europeia reiteraram sua disposição de manter o diálogo e concordaram em realizar uma nova reunião em março.

As conversas ocorreram após meses de tensões crescentes entre Bruxelas e Pequim, alimentadas pelo forte déficit comercial da União Europeia com a China e as acusações de práticas comerciais desleais.

Sefcovic reiterou na noite de quinta-feira (08) na rede social X, que trabalha "ativamente para reequilibrar as relações comerciais", tema de um diálogo mantido há vários meses entre Bruxelas e Pequim.

Ele afirmou ser "crucial" que esta fase das negociações "produza resultados concretos", após reuniões com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao.

Assim como outros líderes europeus, Sefcovic classificou como "insustentável" o déficit comercial da UE com a China, que, desde 2025, chega a cerca de 1 bilhão de euros (R$: 5,6 bilhões) por dia.

Bruxelas ameaça adotar medidas protecionistas caso Pequim não tome medidas concretas e significativas.

O gigante asiático, por sua vez, advertiu que reagirá caso sejam adotadas medidas contrárias a seus interesses.

A viagem de Sefcovic tem como objetivo evitar uma escalada de tensões que ocorre poucos dias antes de uma cúpula de chefes de Estado da UE, prevista para meados de outubro.