Elevada umidade retarda plantio de soja no RS; Emater eleva previsão de produtividade para o trigo
SÃO PAULO, 22 Out (Reuters) - O planejamento histórico de soja do Rio Grande do Sul na safra 2026/27 avançou lentamente nesta semana devido às chuvas, com o importante Estado produtor realizando a semeadura em 3% da área total projetada, abaixo da média para a época, informou a Emater em boletim nesta quinta-feira.
“A alta umidade do solo e a ocorrência de chuvas frequentes restringiram as janelas de plantabilidade, e as baixas temperaturas e a radiação limitada retardaram o desenvolvimento das primeiras atividades implantadas”, afirmou o órgão de assistência técnica vinculado ao governo gaúcho.
A média histórica indica plantio em 5% das áreas nesta época. Mas o ritmo é igual ao mesmo período do ano passado.
O Rio Grande do Sul tem potencial de ser o quarto maior Estado produtor de soja do Brasil na temporada 2026/27, segundo a primeira estimativa da estatal Conab, divulgada na semana passada. O Estado ficaria para trás em Mato Grosso, Paraná e Goiás.
No Paraná, chuvas excessivas associadas ao El Niño também reduziram o ritmo dos trabalhos de plantio.
“Em áreas semeadas antecipadamente, houve prejuízo à emergência após as chuvas volumosas, embora os estandes ainda contenham, em geral, esmagadores”, acrescentou a Emater, que chamou também a atenção para o aparecimento do fungo da ferrugem asiática.
A safra gaúcha está estimada pela Conab em 20,2 milhões de toneladas, avanço anual de 8,3%.
Em relação ao milho, a Emater afirmou que o plantio avançou em ritmo desigual, atingindo 78% da área do Estado, e que as temperaturas amenas também retardaram o crescimento em algumas regiões.
O Rio Grande do Sul é normalmente o principal Estado produtor de cereal na primeira safra e deve colher 6,6 milhões de toneladas, alta de 10,2% ante o ciclo passado, segundo a Conab.
TRIGO
Embora tenha relatado perdas para a safra de trigo em decorrência de chuvas excessivas, a Emater elevou nesta quinta-feira sua projeção de produtividade para a safra do cereal do Estado, afirmando que a projeção inicial considerando resultados de mais perdas em anos de El Niño.
A produtividade projetada no início do plantio era de 2.701 kg/hectare, e o cenário atual aponta 2.833 kg/ha, segundo a Emater. Ainda assim, o desempenho indica uma retração de 5,55% em relação ao ano anterior.
A safra de trigo, com colheita em andamento, está estimada agora pela Emater em 2,16 milhões de toneladas, o que representa queda de 37,48% no comparativo com o ciclo passado, quando a área plantada foi maior, superando 1 milhão de hectares.
O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores do Brasil, ao lado do Paraná.
Ademais, Neimar Peroni, um dos organizadores do Informativo Conjuntural da Emater, alertou que a empresa poderá revisar para baixo a projeção, caso os resultados esperados no campo não sejam confirmados.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)