Ibovespa recua com exterior reforçando ajuste negativo pós-eleição


Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 30 Out (Reuters) - O Ibovespa recuava cerca de 1% nesta sexta-feira, quase perdendo o patamar dos 167 mil pontos, em meio a um cenário externo negativo e continuidade dos ajustes pós-eleição, além de noticiário corporativo intenso no Brasil.

Por volta de 12h10, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 1,2%, a 167.151,44 pontos, com o fim de semana prolongado por feriado na segunda-feira reforçando a cautela. No pior momento, o índice chegou a 167.007,57 pontos (-1,29%). O volume financeiro somava R$12,56 bilhões.

No exterior, Wall Street registrava perdas com declínio no setor de tecnologia, após o plano agressivo de investimentos em IA da Amazon e o alerta da Intel sobre o consumo de caixa intensificarem preocupações dos investidores com os custos de construção da infraestrutura de IA e o prazo de retorno do investimento. O S&P 500 perdia 1,34%.

Investidores da bolsa paulista também continuam na expectativa dos planos para a economia no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente na área fiscal.

Desde o resultado da eleição no domingo, quando Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e desencadeou um forte desmonte de posições que apostavam em um desfecho contrário, o Ibovespa acumula uma perda de 18,5%, com saída líquida de estrangeiros do mercado secundário de quase R$7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana.

A partir de terça-feira, a B3 muda os horários de negociação dos mercados de bolsa e de balcão em razão do término do horário de verão nos Estados Unidos (1/11/2026), além de Alemanha e Inglaterra (25/10/2026), e o pregão terá sua duração ampliada em uma hora, com o call de fechamento passando a ter início às 17h55 e fim às 18h.

DESTAQUES

• VALE ON avançava 3,06%, mesmo após queda de 53% no lucro líquido do terceiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, para US$1,255 bilhão, em desempenho pressionado pelo recuo de preços de minério e alta de custos. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian foi negociado com queda de 1,18%, a 672 iuanes (US$100,89) por tonelada.

• PETROBRAS PN subia 1,36%, endossada pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional, além de anúncio na véspera de que identificou um terceiro intervalo portador de petróleo na mesma perfuração, na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultra profundas da costa do Amapá, elevando expectativas para a abertura de uma nova fronteira exploratória na região.

• BTG PACTUAL UNIT recuava 5,24%, em dia negativo para bancos do Ibovespa, tendo também no radar relatório de analistas do Itaú BBA rebaixando as units para "market perform" e reduzindo o preço-alvo de R$70 para R$60. SANTANDER BRASIL UNIT cedia 3,13%, BRADESCO PN caía 2,33%, ITAÚ UNIBANCO PN registrava declínio de 1,75% e BANCO DO BRASIL ON perdia 0,85%.

• USIMINAS PNA caía 5,12%, após a produtora de aços planos divulgar um lucro líquido abaixo do esperado no terceiro trimestre, de R$243 milhões, e prever recuo nas vendas do fim de 2026. Na mínima até o momento, os papéis chegaram a R$5,04 (-7,86%), menor cotação intradia em um ano.

• CSN ON cedia 3,54%, revertendo os ganhos dos primeiros negócios, em sessão marcada pelo anúncio de assinou um acordo de exclusividade de 10 dias para a venda da sua subsidiária de cimentos à chinesa Huaxin, em movimento que faz parte de um amplo plano de venda de ativos para reduzir seu endividamento. O acordo contempla um "enterprise value" (EV) de R$12,7 bilhões.

• NATURA ON perdia 6,09%, em mais um pregão negativo para ações sensíveis a juros no Brasil. O amplo índice de consumo da B3 recuava 1,86%.

(Por Paula Arend LaierEdição Michael Susin)