IPCA-15 desacelera mais do que o esperado em outubro
23 Out (Reuters) - O IPCA-15 desacelerou mais do que o esperado em outubro, com a deflação dos preços de energia e de passagens aéreas ajudando a compensar uma alta maior dos preços de alimentos e de combustíveis, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta sexta-feira, antevéspera do segundo turno eleitoral no país.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 0,32% em outubro sobre o mês anterior, após aumento de 0,70% em setembro, acumulando alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta de inflação do Banco Central.
Economistas esperavam avanço de 0,43% na comparação mensal e alta de 4,73% em 12 meses, segundo pesquisa da Reuters.
O índice, que mede os preços de meados de um mês até meados do mês seguinte e compara com o período anterior, é visto como uma prévia do IPCA, usado como parâmetro para a meta inflacionária do Banco Central.
O grupo alimentação e bebidas sofreu a maior alta de preços em outubro e o maior impacto no índice, avançando 0,88%, após aumento de 0,40% em setembro. O destaque foi a alimentação no domicílio, cujos preços saltaram 1,01% em outubro, ante 0,38% no mês anterior.
Já os preços do grupo habitação recuaram 0,10%, após salto de 2,07% em setembro. A principal contribuição negativa veio da inflação da energia elétrica residencial, que passou de 7,42% para -0,89%. O movimento foi impactado pela passagem da bandeira tarifária de amarela -- que impõe cobrança adicional aos consumidores de R$1,885 a cada 100 Kwh consumidos -- para verde, sem cobrança adicional.
Também refletiu o fim do efeito nas contas do bônus de Itaipu, valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior. Esse pagamento se deu em agosto, contribuindo para uma deflação dos preços de energia no mês e uma alta subsequente em setembro.
Já os combustíveis sofreram alta de 1,20% em outubro, acelerando frente a setembro, quando avançaram 0,22%, em meio ao aumento dos preços do petróleo no mercado internacional diante da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
"A principal surpresa veio das passagens aéreas, que caíram 9,24% e ajudaram a conter uma alta mais forte da inflação", disse a economista Claudia Moreno, do C6 Bank. Ela ressaltou que, ainda assim, a inflação de serviços segue mostrando resistência, com alta de 5,5% em 12 meses quando excluídos os itens mais voláteis, como passagens aéreas. "Isso reforça a leitura de que trazer a inflação de volta para a meta não será uma tarefa simples."
O Banco Central se reunirá para deliberar sobre os juros em 3 e 4 de novembro, e a expectativa predominante no mercado é de que a instituição promova o sexto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa básica Selic, atualmente em 13,75%.
Essa será a primeira decisão de política monetária após a eleição presidencial do próximo domingo, disputada em segundo turno pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
(Por Isabel Versiani; edição de Fabrício de Castro)
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 0,32% em outubro sobre o mês anterior, após aumento de 0,70% em setembro, acumulando alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta de inflação do Banco Central.
Economistas esperavam avanço de 0,43% na comparação mensal e alta de 4,73% em 12 meses, segundo pesquisa da Reuters.
O índice, que mede os preços de meados de um mês até meados do mês seguinte e compara com o período anterior, é visto como uma prévia do IPCA, usado como parâmetro para a meta inflacionária do Banco Central.
O grupo alimentação e bebidas sofreu a maior alta de preços em outubro e o maior impacto no índice, avançando 0,88%, após aumento de 0,40% em setembro. O destaque foi a alimentação no domicílio, cujos preços saltaram 1,01% em outubro, ante 0,38% no mês anterior.
Já os preços do grupo habitação recuaram 0,10%, após salto de 2,07% em setembro. A principal contribuição negativa veio da inflação da energia elétrica residencial, que passou de 7,42% para -0,89%. O movimento foi impactado pela passagem da bandeira tarifária de amarela -- que impõe cobrança adicional aos consumidores de R$1,885 a cada 100 Kwh consumidos -- para verde, sem cobrança adicional.
Também refletiu o fim do efeito nas contas do bônus de Itaipu, valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior. Esse pagamento se deu em agosto, contribuindo para uma deflação dos preços de energia no mês e uma alta subsequente em setembro.
Já os combustíveis sofreram alta de 1,20% em outubro, acelerando frente a setembro, quando avançaram 0,22%, em meio ao aumento dos preços do petróleo no mercado internacional diante da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
"A principal surpresa veio das passagens aéreas, que caíram 9,24% e ajudaram a conter uma alta mais forte da inflação", disse a economista Claudia Moreno, do C6 Bank. Ela ressaltou que, ainda assim, a inflação de serviços segue mostrando resistência, com alta de 5,5% em 12 meses quando excluídos os itens mais voláteis, como passagens aéreas. "Isso reforça a leitura de que trazer a inflação de volta para a meta não será uma tarefa simples."
O Banco Central se reunirá para deliberar sobre os juros em 3 e 4 de novembro, e a expectativa predominante no mercado é de que a instituição promova o sexto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa básica Selic, atualmente em 13,75%.
Essa será a primeira decisão de política monetária após a eleição presidencial do próximo domingo, disputada em segundo turno pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
(Por Isabel Versiani; edição de Fabrício de Castro)