Preço da arroba do boi gordo em SP tem o maior valor nominal, aponta Cepea


Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 6 Out (Reuters) - O preço da arroba do boi gordo no mercado paulista marcou o maior patamar nominal da história na segunda-feira, a R$ 372,95, com alta de 7,8% em relação ao início do mês anterior, devido a uma baixa oferta de animais para abate e também à firme demanda interna, disse um especialista do Cepea nesta terça-feira.

O pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, explicou que a oferta menor de animais deve, entre outros fatores, às incertezas geradas pelas tarifas impostas pela China.

"Isso não estimulou muitos confinadores a colocar gado no coxo, principalmente nesse período entre junho e julho... daí isso se reflete nesse gado que estaria pronto agora", afirmou ele.

A China começou a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre os remessas de carne bovina do Brasil a partir de 1º de outubro, depois que o país atingiu sua cota anual de 1,1 milhão de toneladas. Mas antes disso os embarques brasileiros no maior mercado despencaram nos últimos meses, com exportadores buscando evitar a tarifa.

“Esse cenário de incerteza em relação à compra da China fez com que a oferta ficasse mais ajustada”, completou Carvalho.

Além disso, as fortes exportações de gado vivo pelo Brasil em 2026 também ajudarão a reduzir a oferta de animais para a indústria local.

"É um animal jovem, mas ajuda a dinamizar a questão de oferta, precificação do bezerro, do boi magro. Então, a pressão também de preços mais altos da orientações empurra o preço da arroba", disse.

Do lado da demanda, o pesquisador destacou que os preços no mercado interno brasileiro estão perto dos maiores patamares já vistos.

"O mercado brasileiro é comprador...", disse ele, ponderando que, apesar de problemas econômicos, como alta inadimplência, este ano também teve eleição e Copa do Mundo, eventos que impulsionaram a demanda.

"Tudo isso ajuda a entender essa dinâmica. A gente tem mais dinheiro fluindo no mercado", afirmou ele, lembrando que o padrão alimentar também mudou, com consumidores buscando mais proteína animal.

No exterior, apesar dos limites para embarques na China, o Brasil aumentou exportando bons volumes para outros destinos. Com relação ao embargo da União Europeia a partir de setembro, Carvalho observou que os europeus pagam bem, mas acabam comprando alguns tipos de cortes.

Entre os países que têm ampliação semelhante ao produto brasileiro, ele destacou os Estados Unidos.

RETORNO DA CHINA

O país asiático, maior importador do produto brasileiro, coloca medidas de segurança no final do ano passado para promover a indústria local, colocando uma tarifa adicional para compras fora da cota em 2026, 2027 e 2028.

Para o ano que vem, a cota com a tarifa menor de 12% envolverá 1.128 milhões de toneladas, e a expectativa é de que os embarques para o preenchimento de tais volumes já comecem em novembro, segunda avaliação da associação da indústria Abiec.

Carvalho disse que no final de setembro já houve alguma transação de negócios para novas vendas de carne bovina na China, que deverão ser intensificadas a partir de agora, após o feriado chinês nesta semana.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)