Ibovespa avança em meio a balanços após manutenção da Selic


Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) - O Ibovespa avançava nesta quinta-feira, em meio à repercussão de uma bateria de resultados corporativos, enquanto investidores também analisam a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano.

Por volta de 10h50, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,5%, a 168.408,57 pontos. O volume financeiro somava R$3,61 bilhões

Na véspera, após o fechamento do mercado, o BC interrompeu o ciclo de cortes nos juros iniciado em março e deixou em aberto o que fará à frente, citando aumento de incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.

“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, disse o BC em comunicado divulgado com a decisão.

A manutenção dos juros, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, foi definida de maneira unânime pela diretoria da autarquia.

"Na nossa visão, a piora do cenário prospectivo de inflação e o aumento da incerteza reduz significativamente o espaço para novos cortes de juros", afirmou a equipe econômica do C6 Bank, em relatório após a decisão do BC.

"A desancoragem das expectativas, a inflação ainda pressionada e a maior volatilidade dos preços de ativos recomendam a manutenção de uma política monetária contracionista. Esperamos que o Copom mantenha a Selic em 13,75% na reunião de dezembro, com a taxa permanecendo nesse patamar ao final de 2026 e de 2027."

Nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se esforçar para dar os "corretos estímulos" para uma redução da taxa de juros. "O esforço que nós temos que fazer no governo Lula 4 é dar as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos, para que a gente reduza a taxa de juros", disse a jornalistas.

DESTAQUES

• C&A ON avançava 6,75%, após o balanço do terceiro trimestre mostrar lucro líquido acima do esperado, de R$56,5 milhões, embora abaixo do resultado registrado no mesmo período do ano passado. A receita líquida somou R$1,88 bilhão, alta de 2,3% ano a ano.

• SMARTFIT ON subia 6,49%, em meio à repercussão do resultado do terceiro trimestre, com crescimento de 40% no lucro líquido ano a ano, para R$248 milhões. A receita líquida aumentou 29%, para R$2,35 bilhões.

• PRIO ON avançava 2,19%, endossada pela alta dos preços do petróleo no exterior, além do lucro líquido de US$516,6 milhões no terceiro trimestre, oito vezes maior que o apurado no mesmo período do ano passado.

• AXIA ON valorizava-se 2,04%, tendo no radar o lucro líquido de R$1,11 bilhão no terceiro trimestre, sustentado por melhores margens nos negócios de geração e transmissão de energia, revertendo um prejuízo de R$5,45 bilhões apurado um ano antes devido à contabilização da venda da Eletronuclear.

• TENDA ON desabava 11,04%, após resultado abaixo do esperado pelo mercado no terceiro trimestre, com lucro líquido de R$57,3 milhões. Analistas chamaram a atenção para a piora da margem bruta na base trimestral. Em teleconferência sobre o balanço, o CEO estimou manutenção dos níveis atuais de margem em 35%-36% daqui para a frente.

• PORTO SEGURO ON caía 1,67%, com o balanço mostrando lucro líquido de R$839 milhões no terceiro trimestre, ligeiramente acima da média de previsões compiladas pela LSEG, mas o grupo revisando parte de suas projeções para o ano, incluindo o resultado financeiro, agora estimado de R$1,1 bilhão a R$1,5 bilhão, em comparação com a faixa anterior de R$1,4 bilhão a R$1,8 bilhão.

• PETROBRAS PN avançava 1,1%, em pregão de recuperação, acompanhando a melhora dos preços do petróleo no exterior, onde o barril do Brent subia 2,28%, a US$96,78. Na véspera os papéis fecharam em queda de mais de 7%, contaminados pelo tombo de 8,67% do Brent.

• VALE ON subia 0,56%, com aval dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 1,77%, a 691 iuanes (US$103,61) por tonelada métrica, seu nível mais alto desde 8 de outubro.

• ITAÚ UNIBANCO PN tinha variação positiva de 0,08%, em pregão sem sinal único entre os bancos do Ibovespa após desempenho robusto na véspera. BRADESCO PN operava estável, BANCO DO BRASIL ON perdia 0,18%, BTG PACTUAL UNIT subia 0,76% e SANTANDER BRASIL UNIT avançava 1,98%.

• IOCHPE-MAXION ON, que não está no Ibovespa, disparava 9,92%, mesmo após prejuízo líquido de R$16 milhões no terceiro trimestre, uma vez que o Ebitda ajustado cresceu 22,6%, para R$480,5 milhões, e a receita operacional líquida aumentou 15,8%, para R$4,4 bilhões.

(Por Paula Arend Laier; Edição de Eduardo Simões)